As crianças não nascem sabendo sobre o valor do dinheiro. É preciso ensiná-las, conversando com a criança é explicando como este é obtido e qual a sua finalidade. Eles sabem que o dinheiro é importante, mas daí a conseguirem distinguir a sua verdadeira importância vai uma grande diferença. É interessante permitir que a criança administre uma determinada quantia (geralmente através de mesada ou semanada, ou dando tarefas como fazer uma pequena compra). O importante é o que este vai representar no seu crescimento do ponto de vista afetivo e social. Não é possível definir uma idade ideal para receber a mesada (ou semanada). A maturidade é adquirida em idades diferentes, porque cada indivíduo é único, vai depender também, o tipo de dinâmica de cada família. A criança tem dificuldade de conceber abstrações. É preciso mostrar a ela exemplos concretos. “Uma vez atendi um pré adolescente que começou a fazer ligações escondida para o celular de uma amiguinha, quando chegou à conta do telefone fixo, sua mãe ficou apavorada e brigou com ele e o colocou de castigo, mas, será que ele compreendeu o que fez o custo dessas ligações? O quanto ele gastou em cada uma delas? Isso não lhe foi mostrado, ele não viu o concreto, só ouvi falar que o valor foi alto, alto quanto? Ele não sabia o que era isso, o que poderia fazer com aquele valor, com aquele dinheiro. Era tudo muito abstrato para ele, precisava ver no concreto. Entenderam? A criança precisa dessa educação financeira para que compreenda melhor tudo isso. Precisa de exemplos práticos, concretos para assimilar melhor. É através da mesada que vão desenvolver e treinar várias questões em sua vida. A mesada ajuda a criança a estabelecer limites, ensinando-a que o dinheiro não chega para tudo e na hora que ela quer. Ensina-lhe a lidar com a frustração. Através dessa experiência ela vai aprendendo que o dinheiro tem fim e não se pode ter tudo o que se quer, na hora que se quer. E necessário que ela aprenda sobre as prioridades, percebendo o que faz falta e o que é mais importante em cada momento. Assim, a criança irá perceber que tem de tomar decisões e fazer escolhas, que não pode ter tudo. É uma forma também de dar autonomia a essa criança. Fazer com que ela se sinta responsável e perceba que o dinheiro não cai do céu, que têm de o ganhar.
Entretanto, o valor não deve ser muito alto, pois o excesso de dinheiro cria adultos com dificuldades de colocar fim aos seus limites. Todavia, não deve ser muito baixo, pois neste caso não há gestão possível nem maneira de ensinar a poupar. Se o seu filho gastar tudo imediatamente, logo no primeiro dia, será preciso uma conversa ensinando-o que quanto mais gastar menos dinheiro terá para comprar as coisas que quer. Porém, cuidado para não ser muito rígido. São só crianças, deve-se explicar que isso está errado, e como irá o prejudicar.
Dada de forma correta, a mesada é sempre positiva. Ela nao deve ser retirada quando os pais estiverem zangados. Pois isso, significa retirar-lhes um direito que eles próprios lhes quiseram conceder e que resulta de um acordo entre todos. É importante a constância e o compromisso de fazer esse pagamento. Se o pai prometeu que vai dar o dinheiro no sábado, tem que dar todo sábado. Não mude, não atrase e não falte. ”Sempre digo aos pais que o que é prometido deve ser cumprido”, isso é muito importante.
É importante que a criança saiba que não é necessário ser muito rico para ser feliz.
Heloisa Brandão, Psicóloga, CRP 05-35680
O tratamento psicológico visa otimizar o entendimento dos conflitos subjetivos. O terapeuta auxilia o sujeito a formular questionamentos, abrindo possibilidades para construir uma nova forma de lidar com a sua realidade, aprimorando desta forma sua qualidade de vida.
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Heloísa, boa tarde.
ResponderExcluirQuero parabenizá-la pelo belo e sério trabalho que você desenvolve.
Estamos muito felizes em compartilhar com você nossas alegrias, angústias e expectativas, estando certos de sua imparcialidade, seriedade e afetuosidade com os quais nos acolhe.
Adorei a matéria sobre a mesada...
Um forte abraço,
Gisele