Citando Freud em “Luto e Melancolia” (1917, vol XIV – pg 269-291)
podemos dizer que: “O luto, de modo geral, é a reação à perda de um ente
querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido,
como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante”.
Na fase do luto, a perda de interesse é
intensa, o mundo se torna pobre e vazio. Mas, ainda que o luto desenvolva na
pessoa grande distanciamento do que
parece uma atitude normal para com a vida, não podemos vê-lo como uma condição
patológica, e sim respeitá-lo no seu tempo,
sem causar interferências, uma vez que,
isso poderá se prejudicial a ele. Precisamos apenas observar, se esse luto não
se estenderá por um período muito longo de tempo. Pois, a partir daí, é
necessário investigar se realmente não existe uma patologia.
Sempre
digo que o luto vivido pela perda de alguém que se ama, nos causa a mesma perda
de interesse pelo mundo externo como no luto da perda de uma pessoa querida que
faleceu, nos colocando em um estado intenso de sofrimento e dor. Ambos os
sofrimentos são muito parecidos, surgem neles à mesma dificuldade, como diria
Freud (1917, vol XIV – pg
269-291),
de “adotar um novo objeto de amor” (o que significaria substituí-lo) e o mesmo
afastamento de toda e qualquer atividade que não esteja ligada a pensamentos
sobre ele.”.
Qual
o trabalho então do luto, para que ele serve, porque sentimos isso? Esse luto
nos leva a pensar que precisamos abandonar o objeto amado que se foi. Porém,
isso não nos parece tarefa fácil, e não é, abandonar o que se amava de bom
grado realmente não estava nos nossos planos, nem mesmo quando sentimos tal
necessidade dessa decisão. Entretanto precisamos vivenciar as emoções advindas
disso para que possamos elaborar e seguir em frente. Devemos pensar que o luto
se estende por um tempo, e que deve ser vivido pouco a pouco. O que acontece é
que: cada uma das lembranças vivida por esse obejeto é evocada, elaborada e
então vai acontecendo o desligamento a cada uma delas, aos poucos. Precisamos
viver esse luto, pois, ele é necessário para que possamos, mais a frente, nos
sentir livres para seguir adiante.
Heloisa Brandão
Psicologa
CRP 35680/5
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