terça-feira, 15 de maio de 2012

A experiência do “luto”

Citando Freud em “Luto e Melancolia” (1917, vol XIV – pg 269-291) podemos dizer que: “O luto, de modo geral, é a reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante”.

Na fase do luto, a perda de interesse é intensa, o mundo se torna pobre e vazio. Mas, ainda que o luto desenvolva na pessoa grande distanciamento  do que parece uma atitude normal para com a vida, não podemos vê-lo como uma condição patológica, e sim respeitá-lo no seu  tempo, sem  causar interferências, uma vez que, isso poderá se prejudicial a ele. Precisamos apenas observar, se esse luto não se estenderá por um período muito longo de tempo. Pois, a partir daí, é necessário investigar se realmente não existe uma patologia.

Sempre digo que o luto vivido pela perda de alguém que se ama, nos causa a mesma perda de interesse pelo mundo externo como no luto da perda de uma pessoa querida que faleceu, nos colocando em um estado intenso de sofrimento e dor. Ambos os sofrimentos são muito parecidos, surgem neles à mesma dificuldade, como diria Freud (1917, vol XIV – pg 269-291), de “adotar um novo objeto de amor” (o que significaria substituí-lo) e o mesmo afastamento de toda e qualquer atividade que não esteja ligada a pensamentos sobre ele.”.

Qual o trabalho então do luto, para que ele serve, porque sentimos isso? Esse luto nos leva a pensar que precisamos abandonar o objeto amado que se foi. Porém, isso não nos parece tarefa fácil, e não é, abandonar o que se amava de bom grado realmente não estava nos nossos planos, nem mesmo quando sentimos tal necessidade dessa decisão. Entretanto precisamos vivenciar as emoções advindas disso para que possamos elaborar e seguir em frente. Devemos pensar que o luto se estende por um tempo, e que deve ser vivido pouco a pouco. O que acontece é que: cada uma das lembranças vivida por esse obejeto é evocada, elaborada e então vai acontecendo o desligamento a cada uma delas, aos poucos. Precisamos viver esse luto, pois, ele é necessário para que possamos, mais a frente, nos sentir livres para seguir adiante.

Heloisa Brandão

Psicologa

CRP 35680/5

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