Fonte: Ane Caroline Janiro
É bem comum, quando se é Psicólogo, ouvir este questionamento
vindo de pessoas conhecidas, como parentes e amigos: “Mas por que você não pode
me atender?” ou ainda: “Você que é Psicólogo, o que
você acha sobre esse assunto, como podemos resolver isso?” ou “O que você acha
que eu tenho?”.
São muitas as situações em que os psicólogos são “convocados” a
dar sua “opinião de especialista” para ajudar a resolver conflitos familiares
ou cotidianos.
O Código de Ética dos Psicólogos não proíbe claramente que sejam
atendidos familiares ou amigos, a decisão sobre atender ou não vai de acordo
com o bom senso do profissional.
O que se acredita que pode interferir negativamente no sucesso
do processo terapêutico é justamente a intimidade e proximidade que existe
entre o psicólogo e o paciente fora do consultório. Durante os atendimentos,
para se chegar a um objetivo, o psicólogo precisa explorar muitos aspectos da
história do indivíduo, fazer questões que muitas vezes adentram a sua
intimidade e suas particularidades, o que pode prejudicar de alguma forma o
relacionamento de amizade ou familiar. E o contrário também ocorre, pois muitas
vezes o paciente pode optar por não revelar determinadas questões sobre si
mesmo por não se sentir à vontade o suficiente com o psicólogo e mesmo por medo
de expor suas intimidades e ter sua relação fora do consultório afetada. Assim,
o processo terapêutico fica comprometido. E por parte do Psicólogo, também pode
haver preconcepções sobre o paciente (pois estes já se conhecem), que poderão
afetar o processo. O terapeuta não é isento de sentimentos e emoções, que o
fazem correr o risco de deposita-los de forma incorreta no paciente já
conhecido, envolvendo opiniões pessoais e não somente profissionais na terapia.
E é claro que ao psicólogo não fica vedado o direito de dar sua
opinião profissional acerca de conflitos e questões familiares ou de amigos.
Aqui entra novamente o bom senso, pois não se pode fornecer um “diagnóstico”
fora do setting terapêutico, ou seja, ausente do ambiente de atendimento e sem
analisar todo um histórico e demais fatores que interferem em determinada
questão (o que não se pode fazer em alguns minutos apenas, no churrasco de
domingo). O psicólogo pode contribuir e auxiliar nestas questões específicas
até o momento que lhe couber, com base nos princípios éticos que regem a
profissão, visando sempre o cuidado e o bem estar do outro.
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